Justiça seja feita

[Justiça seja feita]

O julgamento unânime pela cassação de Deltan Martinazzo Dallagnol revelou o compromisso intransigente dos ministros do Tribunal Superior Eleitoral com o tratamento equânime para todas e todos, sem deixar brecha para impunidade.

A interpretação correta tem o efeito de defender a Corte como foro apropriado para aplicação das normas, evitando qualquer ilusão de alguma cidadã ou cidadão ficar fora do alcance do braço longo da lei.

Contrariaram os magistrados uma crença do deputado federal afastado, para quem o órgão não exercia seu papel de punir os infratores, sendo o próprio ex-procurador da Operação Lava Jato apanhado em perfeito flagrante.

A “Ficha Limpa” foi o passo histórico capaz de reconstituir a sensação de justiça no Estado Democrático e de Direito, pois o citado ex-parlamentar estava envolvido em 15 procedimentos administrativos substancialmente sustentados.

As necessárias investigações foram abertas durante sua passagem pelo Ministério Público Federal, quando motivou suspeitas de conduta inidônea, seguida de seu próprio pedido de exoneração para certamente escapar das punições imputáveis.

Ficou demonstrada a configuração da estratégia de burla com objetivo de driblar a finalidade reparadora, em agressão ao ordenamento jurídico, duplamente reprovada pela condição de servidor público do condenado.

Não apenas teria “sujado” seu prontuário com suas iniciativas intempestivas, mas também foi condenado o polêmico sujeito por conta de gastos exorbitantes com diárias de hospedagem e passagens aéreas.

A inelegibilidade ajuda a fortalecer a confiabilidade nas instituições, em momento de retomada do funcionamento pleno dos órgãos republicanos, após quatro anos sob ataques seguidos das forças mais reacionárias.

Por outro lado, ficou em situação desconfortável o Tribunal Regional Eleitoral do Paraná, pois havia deferido o registro da candidatura, apesar das evidências contrárias ao provisório político, agora afastado, a bem da República Federativa do Brasil e de nossa cidadania.

Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom | Agência Brasil
Fonte: https://atarde.com.br