Ciro Nogueira cria nova faixa de ricaços e quer taxar só quem ganha acima de R$ 150 mil por mês

[Ciro Nogueira cria nova faixa de ricaços e quer taxar só quem ganha acima de R$ 150 mil por mês]

Após promessa feita aos endinheirados em evento do BTG Pactual, que reclamavam de estar na taxação daqueles que ganham acima de R$ 50 mil por mês, Ciro Nogueira (PP-PI) apresentou um projeto que cria nova faixa de ricaços no Brasil.

A medida do governo Lula foi uma forma de compensar a isenção de Imposto de Renda para os milhões de brasileiros que ganham até R$ 5 mil mensais.

Em ato ao lado de Arthur Lira (PP-AL), relator do PL na Câmara, e de um constrangido Hugo Motta (PP-PI), presidente da casa legislativa, Nogueira apresentou a proposta do PP, que quer aumentar a tributação apenas para quem ganha acima de R$ 150 mil mensais, que pagariam uma alíquota de 4%, que aumenta progressivamente até 15% para aqueles que têm rendimento anual acima de R$ 1 bilhão.

Na entrevista, no entanto, Ciro Nogueira não cita os financistas da Faria Lima como beneficiários da medida colocada pelo PP.

"Queremos apresentar uma alternativa às compensações, em especial protegendo todas as microempresas de nosso país e a maior parte dos profissionais liberais, como médicos e advogados, que recebem seus rendimentos. A nossa proposta eleva para R$ 150 mil este valor inicial", disse Nogueira, diante de um estupefato Hugo Motta.

Não há estudos no Brasil que apontem quantas pessoas têm rendimento acima de R$ 150 mil por mês - a partir de R$ 1,8 milhão por ano. Mas, em termos comparativos, na faixa daqueles que ganham acima de R$ 50 mil, que consta na medida do governo, estão apenas 141,4 mil pessoas no Brasil, ou seja, 0,06% da população do país.

Promessa na Faria Lima

Cerca de 72 horas após prometer, em evento do Banco BTG Pactual desgastar o governo Lula e defender "todo mundo taxado acima dos R$ 50 mil”, Ciro Nogueira anunciou a proposta para cumprir o prometido aos endinheirados.

Em publicação na rede X, Nogueira disse que a proposta mantém a isenção para aqueles que têm renda até R$ 5 mil, "mas oferece formas mais eficientes e justas de equilibrar as contas públicas" - sem especificar até aquele momento.

Na prática, o ex-ministro da Casa Civil de Jair Bolsonaro (PL), um dos articuladores do Orçamento Secreto junto a Arthur Lira (PP-AL), pretende retirar o imposto dos endinheirados.

"Nosso maior compromisso é com o Brasil, por isso sempre apoiaremos medidas positivas para a população. No entanto, não podemos nunca deixar de lado a preservação de empregos e o equilíbrio tributário do País", emendou o senador, defendendo que ricos não paguem impostos.

"Compensação"

No evento, em que debateu com o ex-ministro Edinho Silva (PT), Nogueira adulou a plateia, formada pela burguesia financista, prometendo justamente “ver a questão da compensação” do Imposto de Renda.

Segundo reportagem de Cleber Lourenço, no ICL, um dos financistas presentes mostrou preocupação com a medida dizendo que “aqui está todo mundo taxado acima dos 50 mil”.

Nogueira então respondeu que é preciso “ver a questão da compensação”, o que anunciou hoje nas redes.

O senador bolsonarista ainda prometeu a investidores desgastar o governo Lula com uma "contenção" da oposição no Congresso Nacional. 

Em áudio obtido pelo site ICL Notícias, o senador sinaliza desejar o impeachment do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, mas afirma que o movimento é inviável pelo fato do mandatário ter, no mínimo, 30% de apoio popular, defendendo uma estratégia para enfraquecer o governo, mirando 2026. 

"É muito semelhante com o que acontece no governo Dilma, quando nosso partido saiu e desencadeou todo o processo de impeachment. Só que uma coisa é você tirar a Dilma (...) Costumo a dizer que quem faz impeachment de presidente não é o Congresso, é a população. A Dilma foi tirada porque ela tinha 7% [de aprovação]. O Lula tem um piso de 30%, então, não vai cair, não. E eu acho que seria muito traumático para esse momento econômico", afirma. 

Em outro momento, porém, Ciro Nogueira prometeu "conter" o governo Lula, deixando claro seu objetivo de enfraquecê-lo para que a extrema direita volte ao poder nas próximas eleições. 

“Não vai haver rompimento institucional, mas o Congresso vai segurar. Vai ser a contenção até 2026”, disparou o senador. E continuou: “O eleitor está pronto para migrar. Esse governo já deu o que tinha que dar”. 

Fonte: https://revistaforum.com.br

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